17/02/2012

Não gosto de cagar

 Uma triste e real constatação. De fato, não sou adepto do ato caguístico. Desprezo a ação defecatória. Em outras palavras: eu não gosto de cagar.

 Primeiro que eu sou tão procrastinador que procrastino a liberação estercal. Vou porque sou obrigado, e nem isso ás vezes. Só vou quando minha gravidez fecal já atingiu o ápice e a elasticidade da minha pele já está no limite, e quando não consigo mais andar com a postura ereta por causa do peso da bosta habitante de meus caminhos intestinais, parecendo que eu tenho hernia. Meu intestino tá gritando, os soldados estão preparando o projétil para ser catapultado, e eu continuo lá.

 Segundo que cagar é um desperdício imenso. Não importa o que você coma. Pode ser um churrasco grego bem temperado, uma torta de limão, um cheddar, um sanduíche de fast food com três hambúrgueres, queijo, bacon e alface ou um simples feijão com arroz. Você sempre caga. E com a mesma cor, com o mesmo cheiro. Pra mim isso é uma grande falha na evolução biológica. 

 É estranho se parar pra pensar que, durante milhões de anos, o humano evoluiu, descobriu o fogo, inventou a roda; mas de alguma forma, a evolução não incluiu que ele não precisasse mais evacuar.

 Eu sou a favor de mais uma vez a vida imitar a arte e os humanos passarem a ser iguais á serpente dos jogos dos celulares antigos da Nokia. Aquele jogo onde você controlava uma cobra e a medida que a serpente comia um objeto ela crescia mais. E nunca cagava nada. Só continuava em constante crescimento. Isso deveria ser igual com os seres humanos. Deveríamos comer, e a medida que comemos, termos a opção da dar upgrade no nosso corpo, tipo adicionar um novo braço ou aumentar a capacidade cognitiva, sei lá. Sem nenhuma necessidade de defecação.

 Sou contra cagar. Realizo a ação defecatística a cada 3, 4 dias, chegando a uma vez por semana. Quando não quero seguir as vontades dos movimentos peristálticos do meus intestinos impulsionando as fezes para a liberdade, me seguro. Mas ás vezes a força da criatura é muito potente e você não pode controlar o impacto, então eu desenvolvi uma técnica ninja de como evitar que seu orifício abra intencionalmente e vaze esterco até a sua panturrilha depois daqueles quatro pedaços de pizza da noite passada.

Resultado depois de quatro dias sem ir ao banheiro. Imagem meramente ilustrativa.

 Essa técnica é muito simples e não necessita de esforço. Eu a chamo de "técnica anti-evacuação bostal". Ela se baseia em você sentar-se em cima do seu calcanhar. Apenas em um deles. E quando eu digo "sentar em cima do calcanhar", me refiro a sentar com suas nádegas em cima dele pressionando-as, impedindo a passagem da merda. Claro que se a mesma for muito líquida não adiantará de nada. Para realizar tal ato você deve estar vestido, obviamente. E com cueca, também. Porque sem cueca, caso ocorra de acabar saindo um vestígio de pasta fecal, não será nada agradável.

 Essa técnica requer uma concentração forte de chakra na área da pélvis. No entanto, assim que você conseguir segurar pela primeira vez a saída do bolo merdístico resultante de uma metaformose digestiva, as outras serão igualmente fáceis e você conseguirá dominar com sagacidade a saída de estrume e continuar procrastinando. Ou mesmo se você quiser fazer um teste e ficar o máximo de dias possíveis sem esbarrigar só pra sentir a emoção de liberar toda aquela bosta petrificada e constipada dentro da sua região intestinal. Salientando que esta técnica não é perfeitamente eficiente, e você tem que contrair o esfíncter, caso contrário será menos ainda. E pode resultar em desastre caso a força do jato da bosta seja muito grande.

 No entanto vale a pena. Coma muito, não cague, tome muita água e prepara-se para depois de três ou quatro dias, sentar no trono dos deuses, elevar seu espírito, pintar epicamente a porcelana e aproveitar o seu nirvana intestinal.