29/04/2018

Transcritos aleatórios 3

O problema da humanidade é que os inteligentes preferem não ter filhos enquanto a paternidade é delegada aos idiotas.

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Legalização do porte de armas é sempre defendido por homens que querem se sentir mais machos por terem uma arma, mascarando esse desejo de "liberdade individual". É um apelo desesperado de uma sociedade cujo sistema está falido e/ou o Estado é omisso e negligente diante de um cenário de violência e desigualdade social. Uma arma, com o objetivo de ferir ou matar, em nome da liberdade. Que lindo, não é? Mas é claro que a polícia pode ser ausente, corrupta, ineficiente. Isso não significa que a solução é a legalização de armas. Significa que devemos resolver o problema da polícia ausente, corrupta e ineficiente. "Um aparato estatal que me prive da minha liberdade de defender minha vida?" Bom, filho, quando se trata de um instrumento cujo objetivo é potencialmente tirar a vida do outro, a liberdade individual também vale pro comparsa que tá na sua mira. Não importa se ele tá te assaltando, se ele quer te matar primeiro. Quando alguém ta apontando uma arma na sua cara, você vai pensar duas vezes em reagir mesmo se estiver armado. Não é tão simples assim. "Mas eu posso ter a chance de correr o risco e me salvar", alguns podem dizer. Claro, armas em mãos de bandidos é um problema sério. Mas armas nas mãos de todo mundo não resolve nada. Não diminui a criminalidade, nem a violência. No Brasil ainda?

Ser a favor do porte nesse país de retardado com gente se matando por causa da futebol e político: esquece. Alie isso à polarização e crescentes ondas de ódio, à apatia e à taxa do número de homicídios, à tendência inversa de pacificação em grande parte do mundo, e temos aí uma receita para gerar mais caos social. Foda-se a sua liberdade individual, você quer é ter sua arma para criar um falso sentimento de segurança, mas isso não vai acontecer se você descobrir que aquele seu vizinho folga também pode ter uma. Esqueça as armas. Legalizem-se as espadas! Isso seria muito mais interessante.

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"Supermercado Latrocínio, porque nossos preços são um roubo seguido de morte!"

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Eis aqui o meu roteiro de um filme de terror realístico:
 "Cinco amigos se encontram na casa de Heitor, para passar a noite, beber, conversar, talvez puxar um beque (se alguém se lembrou de comprar, claro) e se divertir um pouco. Uma das piranhas do grupo de amigos, de nome Patrícia, começa a contar a história de um amigo de um amigo que decidiu brincar da brincadeira do copo, um oculto e misterioso jogo que invocava espíritos atormentados do purgatório. Esse amigo do amigo acabou fazendo uma pergunta fatal e tendo consequências terríveis, e ninguém sabe até hoje onde ele está e o que aconteceu com ele. Com álcool no sistema nervoso, o grupo de amigos decide jogar o jogo do copo, e em meio a tanta tensão e excitação, o corajoso Gabriel, um burguês safado filhinho de papai, decide fazer a pergunta fatal. Após alguns segundos de espera, que para o grupo pareceu milhares de minutos, nada acontece. Eles ficam frustrados, mandam Patrícia tomar no cu e xingam o Gabriel de cuzão. Eles continuaram a beber até 4 da manhã."

23/04/2018

Metaleiro neonazista iria pra vala na Alemanha de Hitler

Longe de ter uma política definida, o metal evoluiu da rebeldia anárquica do punk, do espírito juvenil de ser do contra. Não raro o metaleiro brazuka se isenta politicamente, na tentativa de ser sensato e não defender cegamente nenhum político ou ideologia. Apesar de compreensível, isso muito comumente pode levar à perigosa alienação política e na adoção de opiniões rasas, e facilmente encontraremos por aí aqueles que adoram dizer que "política não presta", que "político é tudo corrupto", "tem que prender todo mundo", além de outros jargões clichês. Outro risco é a facilidade com que o discurso simplista da direita conservadora pode convencer os mais incautos, cujo estilo preferido é exatamente contra: a raiz do metal é um grito de guerra explícito ao status quo da época. Um metalhead conservador é igual um gay eleitor do Malafaia. É não conhecer a história e o contexto de bandas como Twisted Sister, Judas Priest, Iron Maiden, Slayer, Black Sabbath e muitas outras.

E um dos motivos para a ascendência dessa postura no metal é o saudosismo que o gênero trás. A sonoridade clássica dos anos 80 tem ares nostálgicos, que remete a "tempos melhores" e de "quando a música era melhor", um dos pilares para o pensamento conservador - o que também ajuda a explicar a cabeça fechada de um banger comum, que só sabe ouvir as mesmas coisas todo dia e conhecer bandas novas mas que tenham exatamente a mesma sonoridade das antigas, perpetuando essa bolha de falsa superioridade.

 E como geralmente metaleiros não são o tipo de gente mais inteligente do mundo (por mais que finjam que são), é capaz de quem ler isso aqui pensar que eu sou um "esquerdista" e me xingar de socialista filho da puta (provando mais uma vez a capacidade de argumentação dessa galera sem ter que apelar à Ad Hominem). No entanto, também não concordo com o outro lado da moeda, onde encontra-se os pseudo-revolucionários defensores do modelo comunista ou anarquista, bradando de forma fútil o termo "fascista" para aqueles que se opõem à seus ideais, sendo que geralmente são eles os primeiros a se fechar ao diálogo e bradar por violência como ferramenta de transformação. E sim, eu sei que não é exatamente fácil conversar com um conservador retardado de 15 anos, mas viver requer paciência, e adotar comportamento passivo-agressivo ou sarcástico como argumento não ajuda ninguém. E obviamente encontra-se os que não se encaixam no alvo dessa crítica, antes que acusem esse texto de generalizações como tentativa de invalidá-lo.

 Ao menos, pra mim, esse estilo tem como fundação à adoção do criticismo e do pensamento individual, à uma postura anti-establishment, à aversão ao dogmatismo, ao senso comum e de pacotes de ideais já pré-concebidos. Talvez o metal possa, desde que de maneira crítica e não doutrinária, ser utilizado como plataforma política. Se existe até metal gospel, quem sou eu pra ditar as regras? O metal não precisa ser politizado, muito menos alienado, porém não deve defender o que tanto foi alvo de crítica em suas letras no auge de sua ascensão, tampouco ideologias ultrapassadas do século XIX.

 Mas é muito mais difícil escutar argumentos de mais de um lado, debater e tentar pensar por si mesmo. E o resultado é um publico metaleiro burro, hipócrita e preconceituoso que, mesmo quando tenta se informar e politizar-se, cai no pretensioso mundo da fantasia de sua linda utopia ou político favoritos - mesmo que seu gênero preferido não seja o Power Metal.

23/02/2018

Rolês na periferia desse FDS

Confira abaixo a lista para os rolês, bailes, festas e baladinhas mais transadas da periferia para esse seu final de semana não passar na lamúria:

Baile eclético da Família Potranca, Rua da Lama, número 80
Horário: a partir das 21h

Nem só de funk vive a comunidade. Reggae, samba, forró, sertanejo, pagode, MPB, eletrônica, e muito mais, tudo pelas mãos do DJ Josival, cunhado do Danilzo Potranca. No fundo do quintal, passando pela casa da vó da Silmara, o baile será regado a iluminação de danceteria, com muitas bebidas que poderão ser consumidas a vontade e gente fingindo que sabe dançar.

Baile funk do Zézão, na esquina da Rua Garoto Pretinho com a Rua da Barraquinha
Forma de pagamento: bebidas alcoólicas, entorpecentes ilegais, sexo oral ou anal
Horário: a partir das 14h até ás 05h, ou até quando a última garrafa de energético acabar e ninguém mais tiver dinheiro

Happy hour ao ar livre, perfeito para ir com os amigos. Vizinhos talvez possam se incomodar com o barulho, porém não precisa se preocupar com a polícia interrompendo a festança, lá a ausência do Estado pode te deixar tranquilo! E mesmo se vierem, não saia correndo: os donos da festa farão questão de conversar com os policias e garantirem que não incomodarão mais. Baile regado à muita vodka barata, refrigerante para misturar com Dolly, catuaba, vinho de cinco reais, tudo isso acompanhado de belas porções de erva natural para relaxar os nervos!

E atenção: A partir da 00h iniciará a competição de fuga da Rota. Os traficantes da boca irão disparar alguns tiros e esperar a chegada da tropa. Quem ser capturado por último ganha a fiança.

Rolêzão na Praça da Cagada, em frente ao Departamento De Saneamento Urbano
Horário: a partir das 15h até ás 22h, porque os pais não deixaram passar disso

Encontrão dos jovens em meio aos arbustos secos e a grama alta não cortada da Praça da Cagada. Bebidas, cantadas, músicas no celular, tédio e muita conversa. Depois do anoitecer, trechos escuros da praça mal iluminada podem servir para casais românticos aproveitarem um momento de muita beijação. DST opcional.

Aniversário da Jandira, Rua da Lascívia, número 47
Horário: a partir das 17h30

Comemorando 50 anos, dona Jandira vai garantir nesse sabadão uma festança com muito bolo, beijinho, brigadeiro, coxinha fria da padaria, refrigerante quente e sem gás, gente feia, música ruim em uma caixa de som estourada, criança barulhenta, Skol congelada, criança traquineira estourando balão com o espetinho da linguiça, gritaria, e uma puta festa de família pra tu não ficar de fora!

08/02/2018

Transcritos aleatórios 2

 Eu não acho que a falta de significado seja desalentadora ou aterrorizante como muitos acreditam. O que é o significado? Temos esse desejo impulsivo de atrelar razão à tudo, dar ao universo e à nossa existência um significado especial, como se fôssemos dignos de tal. Eu não vejo como isso pode ser mais ilusório.

 Eu acho muito mais atraente o fato de sermos o resultado de um processo aleatório e fortuito de milhões de anos, que nos trouxe até aqui por meio da pura sorte. Isso assusta os mais crédulos, os crentes, pois os joga para um vazio onde não há um conforto emocional de acreditar que fazem parte de algo maior, de que tudo acontece por um motivo. Ser fruto de uma lenta evolução de milhões de anos, sem um criador superpoderoso? Nós nos recusamos em aceitar essa perspectiva, é absolutamente horrenda. Mesmo para os mais céticos, a princípio essa ideia também o é.

 Mas, abandonando a superstição e o pensamento místico, aceitar a nossa existência como um mero acaso, desprovido de significado especial no contexto do cosmos, é um ato de extrema humildade, grandeza e transformação. É como ir para um retiro espiritual no meio da floresta e se deparar com uma realidade que, longe de qualquer crença ou dogma, acalenta e engrandece a mente com uma perspectiva estarrecedora.

 É surpreendente e encantador poder enxergar o nosso parentesco evolutivo com todos os seres vivos do planeta, vislumbrar o panorama do universo e os átomos que de dentro das estrelas nos originam, aceitar a nossa profunda conexão com o cosmos e, ainda sim, sem precisar recorrer á qualquer tipo de busca de significado especial para a nossa existência que fuja da conexão com a realidade. Essa, pra mim, é uma perspectiva muito mais fascinante e prazerosa.

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 Eu me pergunto o que será desse blog quando eu morrer. Será que meus parentes o lerão com um misto de vergonha, risadas e encantamento? Se estão chorando: me desculpa. Eu sei que muitos dos textos aqui são apenas vergonhosos pra cacete. E olha que eu apaguei muitos deles. Esse blog é como um diário online, um registro de ideias que qualquer um pode ler. Será que ele servirá como recordação à minha vida, à minha personalidade? E se eles estiverem lendo isso exatamente quando eu já estiver morto? Estarão chorando, rindo, os dois? É certamente uma ideia interessante.

 Eu tenho muitas ideias interessantes. Eu só tenho preguiça de desenvolvê-las. Por exemplo: uma vez pensei num filme que se chamasse "A Volta Dos Que Foram Mas Não Voltaram". Sobre o que é? Eu não faço a menor ideia! Espero que eu consiga desenvolver o enredo antes de morrer.