19/08/2013

Relato de um amigo que morreu por 6 minutos


 Meu amigo tem um histórico familiar de problemas cardíacos, e francamente era apenas questão de tempo até ele começar a ter alguns problemas também. O doutor disse que provavelmente era devido ao seu alto colesterol, ou estresse, ou uma combinação de ambos.

 Ele está bem agora, pelo o menos fisicamente. A experiência foi muito difícil para ele, e eu posso apenas imaginar os efeitos que isso o trouxe.

 Ele morreu. Por seis minutos ele não respirou. Sem pulso, sem movimento, sem nada. O doutor disso que não é tão raro assim, mas não torna o fato menos inacreditável. Eu pensei que essa experiência seria revigorante para esse meu amigo. Pensei que ia botar nele um orgulho rebelde, sabendo que ele trapaceou a morte. Mas não foi bem assim. Meu amigo decaiu sob uma profunda depressão. O tipo de depressão que não só afeta o depressivo, mas suga toda a felicidade de todos ao redor dele. Só imagino o quanto deve estar afetando sua família, sua carreira.

 Mas quanto á história aterrorizante: aconteceu numa noite em que eu senti a responsabilidade como amigo de tirá-lo de casa para deixá-lo bêbado. Ele não estava afim, claro, mas consegui trazê-lo para o bar com um punhado de amigos. Era uma noite quieta no bar, perfeita para contar histórias. Nós rimos e brincamos, até meu amigo depressivo soltou alguns risos. Porém, inspirado pelos efeitos do álcool, eu fiz uma pergunta que cuja resposta agora eu sei que estava comendo meu amigo por dentro:

"O que você sentiu ao morrer?"

 Ele ficou sombrio e obscuro, e imediatamente eu me arrependi de ter perguntado. Me desculpei, mas ele disse que estava tudo bem e concordou em nos dizer. Ficamos todos quietos e nos aproximamos para escutar, ansiosos para ouvir um conto sobre luzes brilhantes e anjos cantando. Mas não foi bem assim.

 Aqui está o relato do meu amigo. Sem as palavras exatas, no entanto tentei ser fiel ás suas palavras:

  "Vocês devem pensar que a morte é um alívio. Uma escapatória agradável da dor e agonia, uma escapatória de uma vida desagradável, de uma guerra infestada, miséria arrasando esse planeta que chamamos de Terra, para um lindo lugar de interminável paz e felicidade. Mas não foi bem assim.

 Pelo o menos não foi comigo. A dor começou intensa, e continuamente ficou pior por toda a manhã. Eu não podia faltar no trabalho de novo, sendo que eu já estava improdutivo. Tomei um Advil, estiquei meus braços, e saí. Eu realmente não devia ter dirigido com a dor intensa, o tráfego só piorou meu humor. "Esqueça isso", eu dizia pra mim mesmo, "seja homem". E eu fui, por um momento. As coisas ficaram piores quando eu estava sentado na minha mesa, lutando para respirar, pedindo ajuda. Foi quando eu apaguei.

 Eu ouvi muitas vozes, vozes de pânico. Gritos, sirenes, vozes. Eu, de alguma forma, percebi que estava em uma ambulância, e tentei falar. Aí apaguei de novo. Tudo virou preto por um lado. Os sons ao meu redor se tornaram continuamente mais abafados, substituídos por um alto barulho de água nas minhas orelhas. Foi quando eu morri.

 A única maneira que eu posso colocar em palavra como se sente ao morrer é que tudo está sangrando de você. Não apenas sangue, mas... a essência de si mesmo. Todo o seu conhecimento, sua personalidade, suas memórias, seus desejos, você. Tudo vazando e caindo. Não havia luz no fim do túnel. Não havia vozes de anjos cantando. Morte é realmente sombria como soa. Eu não descreveria como "falecer" ou "passar dessa pra melhor". Não, "morte" é a palavra perfeita. Se você me perguntar, não existe vida após morte. Não me senti alguém ou algum Deus vindo até mim para me levar para um lugar mágico, ou até mesmo um diabo ou torturador. Não, a real resposta é mais assustadora que qualquer teoria possível. Não há nada.

 Após seu tempo na Terra, não há nada esperando por você. Você não será lembrado exceto por alguns humanos que foram tão insignificantes como você. Será como você nunca tenha existido. Não há significado para a vida. Não há grande mistérios ou vida após a morte. Quando você morre, você não existe mais. Um destino pior do que qualquer um, na minha opinião.

 Eu era um homem de fé. Eu esperava totalmente ouvir vozes de um Deus quando eu morresse. Eu esperava totalmente em ver minha mãe e meu pai de novo. Esperava em encontrar com meu cachorro e abraçá-lo mais uma vez. Eu esperava ser feliz. Pra sempre."

 Mas não foi bem assim...