13/06/2013

Os verdadeiros vândalos


 Eles prosseguiam com voracidade pelas ruas da cidade. Coros e gritos de insatisfação. As árvores em chamas, vidros quebrados e automóveis ateados em meio a multidão. Pessoas se dispersavam e corriam com ferocidade. Eles só queriam que tudo ocorresse pacificamente, no entanto, tudo tinha que ser estragado por eles. Os vândalos. As calçadas sofriam os impactos dos passos apressados dos protestantes, os postes iluminavam os confrontos daquela negra noite. A metrópole e seu céu poluído eram meros detalhes diante dos tumultos.

 A placa de pedestre diz "Atravesse na faixa" em vão. Passos desordenados e olhos assustados correm em todas as direções, espantados pela hostilidade dos desordeiros.

 O fogo consome e alimenta mais o fervor do ódio deles, que avançam hostilmente em direção aos inocentes. Quem quer protestar? Eles que não. Quem quer manter a ordem? Eles só querem criar desordem. Quem quer manter a democracia? É apenas algo abstrato. Os oprimidos continuam oprimidos, e os opressores continuam, de seus capacetes blindados, ferindo desconhecidos que o bancam, enquanto choram por um aumento de salário.

 Desconhecidos que são feridos, apenas exercendo seu direito civil, ou até mesmo não estando nem relacionado com o "confronto". São meros transeuntes. Trabalhadores retornando para casa, ou para protestar pacificamente, ou cobrir a passeata. Esses não ficaram de fora. A zona de batalha também atingiu-os.

 E enquanto tudo isso ocorria, aqueles - sentados sobre seus escritórios chiques e cadeiras de couro - não se importavam. Fingiam que nada viam. E os que estavam por trás das câmeras apenas distorciam tudo, focando apenas neles: os arruaceiros.

 E a fumaça das bombas de gás lacrimogênio - lançadas pela barreira dos escudos reforçados e dos coletes de última geração em direção aos público - assobiavam pelo vento da cidade, não deixando dúvidas de quem eram, afinal, os verdadeiros vândalos.