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12/11/2018

Transcritos aleatórios 5

O Brasil lidera o assassinato de ativistas ambientais, carentes de apoio popular e político, que ficam às margens de um intenso lobby do agronegócio, afrouxando a legislação sobre agrotóxicos, desmatamento ilegal, mineração, pesca e caça em áreas protegidas, extinção de reservas ambientais; além das ameaças de Bolsonaro ao Ibama e ICMBio por serem apenas uma "indústria da multa", da hostilização de terra indígena, e da saída do Acordo de Paris e da fusão (até agora ideias que foram abandonadas) do Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura. Ministérios esses que um será comandado por um réu por improbidade administrativa e o outro por uma deputada apelidada de "Musa do Veneno", que juntos fazem a alegria de ruralistas.

Uma agenda ambiental, que use a ciência e a tecnologia para práticas mais sustentáveis, precisa ser prioritária em um planeta que já sofre significativos efeitos do aquecimento global, com o incentivo à agrossilvicultura, corredores ecológicos, OGMs, ampliação da matriz energética solar e das áreas de proteção ambiental, redução dos subsídios à combustíveis fósseis, entre outras. Não é só questão de proteger o meio ambiente. É benéfico para o comércio, desenvolvimento industrial, saúde, turismo, emprego, bem estar.

O desmatamento da Amazônia se aproxima do irreversível na recuperação do seu bioma, com impactos catastróficos não só na biodiversidade, mas também na agricultura e economia do país, que entrariam em colapso. A floresta é a principal responsável pelo ciclo hidrológico de São Paulo, e seu clima extremo, a falta de chuvas e a seca das represas são consequências importantes da destruição da floresta amazônica, e se ela não existisse a cidade inteira estaria hoje sob um deserto.

Mas isso tudo não interessa em nada ao novo governo, que tem como chanceler um lunático que acredita que tudo isso não passa de dogmatismo. Essa é uma bela receita rumo à um desastre ecológico e econômico. O Brasil pode sofrer secas severas, impactos desastrosos no meio ambiente, sanções internacionais para a exportação de seus commodities, e assim o comércio nacional desabar e todo o país sofrer uma enorme crise.

Tem certeza que não vamos virar uma Venezuela? Se você votou nesse novo governo, é melhor já ir cobrando seu candidato a abraçar pautas ambientalistas e de desenvolvimento sustentável.

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Uma sociedade cientificamente letrada se demonstra mais urgente do que nunca quando se presencia uma era da "informação" tão catastrófica em termos de credibilidade e qualidade. A facilidade e rapidez da comunicação exacerbou suas piores facetas, hoje dominada por debates supérfluos, fake news, manipulações, agressões verbais ou físicas, sensacionalismos e bolhas sociais, sendo estes os sintomas da falência educacional de um povo crédulo, analfabeto científico e desprovido de criticismo. Um instinto primitivo e irracional apossou-se desse país.

Ciência não é só remédios, dinossauros, drogas, bombas, planetas, lei da gravidade e foguetes espaciais. É também uma mentalidade a ser empregada, uma perspectiva filosófica de vida. Aplicar o método científico é saber identificar os maus argumentos e os bons, de ficar atento ás falácias, vieses cognitivos, falhas de raciocínio, do agir por impulso e emoção, de reconhecer que nosso cérebro primata é falho e pode sempre ser enganado. Aplicar o método científico diariamente é carregar consigo uma tocha de ceticismo, uma postura racional, crítica e intelectual, mas também humilde, em reconhecer não ter certeza quando não se tem, de assumir a própria ignorância, de estar sempre disposto a pesquisar mais através de fontes confiáveis, e também de estar a par de sua própria falibilidade e sugestionabilidade, da tentação ao auto engano, de aceitar qualquer coisa como verdade porque quer acreditar, de reconhecer e rejeitar pseudociência, notícias falsas ou tendenciosas, conspirações, ciências questionáveis e superstições. De condenar picaretas e charlatões que tentam nos enganar com terapias alternativas ou teorias mirabolantes supostamente irrefutáveis. De enxergar a vida de forma secular, sem apelo ao desconhecido e ao irracionalismo. De não relativizar o conhecimento cientificamente embasado, criando seus próprios fatos à maneira que bem entender.

O método científico não é dogmático, e pode ser falível, mas está sempre se questionando, observando e aceitando, aprimorando e corrigindo novas ideias conforme o acúmulo de evidências e argumentos bons e aceitáveis que a suportem. O que pode ser afirmado sem evidência pode ser rejeitado sem evidência, e o que se afirma ser "além da capacidade de verificação pela ciência" também podem ser no mínimo questionável ou descartado.

26/05/2018

Transcritos aleatórios 4

Cachorro é uma criatura maravilhosa. Eu acho que cães deviam comandar o mundo. Seria um lugar bem melhor. Você nunca ia ver um cachorro chegar em casa bêbado e espancar o filho, ou um regime autoritário de cães tiranos que matam milhões de cachorrinhos inocentes. Isso nunca ia acontecer. Humanos poderiam desaparecer pra sempre. Talvez os cães sentissem saudades no começo, mas eles iam superar conforme as gerações, se adaptarem, talvez inventar a agricultura. Os gatos, mais provavelmente, continuariam pouco se fodendo. Em duas ou 3 gerações eles já teriam quebrado todos os móveis do mundo. Os porcos, que Deus proteja os cães, seria melhor continuarem longe de A Revolução dos Bichos. Eles poderiam começar a ter ideias.

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A única coisa que eu gosto do calor é que ele me obriga a beber mais cerveja. Por outro lado, isso faz a cerveja acabar mais rápido. Bem, nem tudo é perfeito.

***

Transporte público me permite julgar todo mundo em silêncio. Eu posso ser o pior tipo de pessoa possível. Alguém senta do meu lado e eu penso: "Puta merda, como você é feio!" e saio ileso. Alguém meio acima do peso me pede licença pra passar e eu só falo comigo mesmo "não tem espaço pra você não, seu gordo do caralho", enquanto tento educadamente sair do caminho. É tão divertido!

***

Abaixo está a lista oficial das músicas que tocarão no meu funeral. Elas serão muitas, então seria mais prático fazer uma festa de comemoração à minha partida. Seria bem mais interessante - uma pena que eu não poderei ir, embora essa lista esteja cheia de canções deprimentes. Sim, eu quero que vocês todos sofram! À lista:
 Nina Simone - Stars
 Tommy Emmanuel - Halfway Home
 Fletwood Mac - You Make Loving Fun
 The Moody Blues - Nights In White Satin
 Tim Maia - Gostava tanto de você
 Johnny Cash - We'll Meet Again
 Black Sabbath - Fluff
 Queen - The Show Must Go On
 Bathory - Ring Of Gold
 Rainbow - Catch The Rainbow
 David Bowie - Lazarus
 Creedence - Who'll Stop The Rain
 Frank Sinatra - My Way
 O Peso - Não Fique Triste

 E todas as musicas tristes do Chaves.

 Adendo importante: Não quero enterro, não quero ser cremado. Quero que todos os meus órgãos (os que não foram estragados pelo álcool) sejam doados e o resto de meu corpo enterrado debaixo da terra, sem caixão, usando alguma técnica para que meu corpo seja usado como nutrientes para o solo e para o crescimento de árvores, assim como meu corpo se alimentou dos nutrientes do solo a vida inteira. Grato.

29/04/2018

Transcritos aleatórios 3

O problema da humanidade é que os inteligentes preferem não ter filhos enquanto a paternidade é delegada aos idiotas.

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Legalização do porte de armas é sempre defendido por homens que querem se sentir mais machos por terem uma arma, mascarando esse desejo de "liberdade individual". É um apelo desesperado de uma sociedade cujo sistema está falido e/ou o Estado é omisso e negligente diante de um cenário de violência e desigualdade social. Uma arma, com o objetivo de ferir ou matar, em nome da liberdade. Que lindo, não é? Mas é claro que a polícia pode ser ausente, corrupta, ineficiente. Isso não significa que a solução é a legalização de armas. Significa que devemos resolver o problema da polícia ausente, corrupta e ineficiente. "Um aparato estatal que me prive da minha liberdade de defender minha vida?" Bom, filho, quando se trata de um instrumento cujo objetivo é potencialmente tirar a vida do outro, a liberdade individual também vale pro comparsa que tá na sua mira. Não importa se ele tá te assaltando, se ele quer te matar primeiro. Quando alguém ta apontando uma arma na sua cara, você vai pensar duas vezes em reagir mesmo se estiver armado. Não é tão simples assim. "Mas eu posso ter a chance de correr o risco e me salvar", alguns podem dizer. Claro, armas em mãos de bandidos é um problema sério. Mas armas nas mãos de todo mundo não resolve nada. Não diminui a criminalidade, nem a violência. No Brasil ainda?

Ser a favor do porte nesse país de retardado com gente se matando por causa da futebol e político: esquece. Alie isso à polarização e crescentes ondas de ódio, à apatia e à taxa do número de homicídios, à tendência inversa de pacificação em grande parte do mundo, e temos aí uma receita para gerar mais caos social. Foda-se a sua liberdade individual, você quer é ter sua arma para criar um falso sentimento de segurança, mas isso não vai acontecer se você descobrir que aquele seu vizinho folga também pode ter uma. Esqueça as armas. Legalizem-se as espadas! Isso seria muito mais interessante.

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"Supermercado Latrocínio, porque nossos preços são um roubo seguido de morte!"

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Eis aqui o meu roteiro de um filme de terror realístico:
 "Cinco amigos se encontram na casa de Heitor, para passar a noite, beber, conversar, talvez puxar um beque (se alguém se lembrou de comprar, claro) e se divertir um pouco. Uma das piranhas do grupo de amigos, de nome Patrícia, começa a contar a história de um amigo de um amigo que decidiu brincar da brincadeira do copo, um oculto e misterioso jogo que invocava espíritos atormentados do purgatório. Esse amigo do amigo acabou fazendo uma pergunta fatal e tendo consequências terríveis, e ninguém sabe até hoje onde ele está e o que aconteceu com ele. Com álcool no sistema nervoso, o grupo de amigos decide jogar o jogo do copo, e em meio a tanta tensão e excitação, o corajoso Gabriel, um burguês safado filhinho de papai, decide fazer a pergunta fatal. Após alguns segundos de espera, que para o grupo pareceu milhares de minutos, nada acontece. Eles ficam frustrados, mandam Patrícia tomar no cu e xingam o Gabriel de cuzão. Eles continuaram a beber até 4 da manhã."

08/02/2018

Transcritos aleatórios 2

 Eu não acho que a falta de significado seja desalentadora ou aterrorizante como muitos acreditam. O que é o significado? Temos esse desejo impulsivo de atrelar razão à tudo, dar ao universo e à nossa existência um significado especial, como se fôssemos dignos de tal. Eu não vejo como isso pode ser mais ilusório.

 Eu acho muito mais atraente o fato de sermos o resultado de um processo aleatório e fortuito de milhões de anos, que nos trouxe até aqui por meio da pura sorte. Isso assusta os mais crédulos, os crentes, pois os joga para um vazio onde não há um conforto emocional de acreditar que fazem parte de algo maior, de que tudo acontece por um motivo. Ser fruto de uma lenta evolução de milhões de anos, sem um criador superpoderoso? Nós nos recusamos em aceitar essa perspectiva, é absolutamente horrenda. Mesmo para os mais céticos, a princípio essa ideia também o é.

 Mas, abandonando a superstição e o pensamento místico, aceitar a nossa existência como um mero acaso, desprovido de significado especial no contexto do cosmos, é um ato de extrema humildade, grandeza e transformação. É como ir para um retiro espiritual no meio da floresta e se deparar com uma realidade que, longe de qualquer crença ou dogma, acalenta e engrandece a mente com uma perspectiva estarrecedora.

 É surpreendente e encantador poder enxergar o nosso parentesco evolutivo com todos os seres vivos do planeta, vislumbrar o panorama do universo e os átomos que de dentro das estrelas nos originam, aceitar a nossa profunda conexão com o cosmos e, ainda sim, sem precisar recorrer á qualquer tipo de busca de significado especial para a nossa existência que fuja da conexão com a realidade. Essa, pra mim, é uma perspectiva muito mais fascinante e prazerosa.

 ***

 Eu me pergunto o que será desse blog quando eu morrer. Será que meus parentes o lerão com um misto de vergonha, risadas e encantamento? Se estão chorando: me desculpa. Eu sei que muitos dos textos aqui são apenas vergonhosos pra cacete. E olha que eu apaguei muitos deles. Esse blog é como um diário online, um registro de ideias que qualquer um pode ler. Será que ele servirá como recordação à minha vida, à minha personalidade? E se eles estiverem lendo isso exatamente quando eu já estiver morto? Estarão chorando, rindo, os dois? É certamente uma ideia interessante.

 Eu tenho muitas ideias interessantes. Eu só tenho preguiça de desenvolvê-las. Por exemplo: uma vez pensei num filme que se chamasse "A Volta Dos Que Foram Mas Não Voltaram". Sobre o que é? Eu não faço a menor ideia! Espero que eu consiga desenvolver o enredo antes de morrer.

27/12/2017

Transcritos aleatórios

Eu acho que todo homem devia ter a liberdade de, pelo o menos uma vez na vida, perder completamente a cabeça e ficar insano de raiva a ponto de não se reconhecer mais. Um momento daqueles de te deixar tão puto e fudido que você tem que arrebentar o próprio crânio na parede pra se acalmar. Apenas um momento de estresse e fúria o suficiente, não para machucar alguém, apenas pra perceber o quão irracionais e selvagens podemos ser quando nosso cérebro de réptil toma conta. Quão fácil é ser dominado por instintos primitivos. Claro, ficar puto não é sempre ruim, muitas vezes é justificável. Mas muitos homens não aprendem nada com esses momentos de insânia e ódio. E digo homem porque mulheres são melhores que isso. Por quê? Elas sempre estão perdendo a porra da cabeça, até que em alguma fase da vida elas dizem "eu não vou mais estressar com isso". Isso significa que elas aprenderam alguma coisa. Homens, percam a porra da cabeça, mas tirem uma lição disso.

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Eu estou absolutamente convencido de que nada, nada mesmo, vai fazer um dia o Brasil ser um país que deu certo. Vivemos em um país falido que vai ser sempre fadado ao fracasso. Muitos vão tentar, alguns poucos vão conseguir alguma coisa, mas no âmbito mais amplo, tudo vai continuar a mesma bosta pra sempre. Esse país não surgiu pra dar certo. E claro, podem continuar tentando. Pessoas tentam fazer a diferença desde sempre, e algumas com certeza conseguiram. Mas na larga escala das coisas? Esqueça. Muitos acham que algum candidato vai melhorar, que votar faz a diferença, que existem pessoas iluminadas prestes a botar o Brasilzão nos trilhos de novo. É uma ilusão divertida, mas não funciona. "Brasil, o país do futuro". Deu certo acreditar nisso por um tempo, mas não conseguimos. Foi divertido tentar, galera, mas é isso, vamos voltar pra casa, a brincadeira acabou. 

 Um dos nossos jargões preferidos quando reclamamos de alguma merda na sociedade ou na política é o "é por isso que o Brasil não vai pra frente". Mas querem saber realmente por que o Brasil não vai pra frente? Nós não estamos preparados pra ele. Tudo que é inovador, moderno, diferente e que nos tire da zona de conforto é assustador. Não queremos ir pra frente. O governo e o Estado mantém as coisas tão fudidas a ponto de deixar o povo indignado mas ao mesmo tempo boas apenas o suficiente pra deixa-lo acomodado. É a receita perfeita pra criar um país que nunca vai ir pra frente.

"Esse país realmente não é pra amadores", um dos jargões também ouvidos a exaustão. Claro, é uma frase irônica, mas se você realmente pensar sobre isso, esse país é um caso especial. Somos um dos únicos países que investe mais em educação do que na Coréia do Sul, Japão ou Suíça e cujos estudantes não sabem matemática básica ou interpretação de texto. Isso explica melhor porque não adianta achar que ainda temos chance?

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Um país pode ser analisado de acordo com a necessidade de entretenimento do povo. Os Estados Unidos são os grandes exportadores da indústria cinematográfica, da de games, séries e em grande parte também na de música. Olhe só o presidente que eles acabaram elegendo. Isso é também aplicável pra gente. Observe apenas o imenso conteúdo idiota que esse país é capaz de produzir na internet, de youtubers a memes, vlogs, blogs, grupos de Facebook, grupos de Whatsapp, vídeos engraçadinhos, fotos engraçadinhas, estamos todo o tempo distraídos no celular, em busca de entretenimento. Olhem só a situação política que a gente vive. Olhem quais os principais candidatos a presidência. Isso explica melhor porque não adianta achar que ainda temos chance? Veja se a Finlândia ou qualquer outro país sério o povo fica perdendo tempo com essa merda. Você não por aí nenhum finlandês postando vídeo dele mesmo jogando enquanto se masturba na frente da câmera e fica recitando memes de 2010, não é? Claro que não, isso porque a Finlândia é um país sério.

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A cada 2 anos é sempre a mesma merda. É anunciado o Rock in Rio e suas atrações, e os chorões começam a repetir a mesma porcaria: "onde já se viu um festival de rock ter artista X e banda Y? Se não tem só rock porque não muda o nome do festival? Antigamente tinha bem mais rock do que hoje"

Primeiro que o Rock in Rio nunca teve a menor pretensão de ser um festival só de rock. O nome Rock in Rio é uma alusão ao verbo em inglês "to rock", que pode ser traduzido para "festejando, arrasando, se divertindo", ou algo similar a isso. Muita gente pensa que é diretamente relacionado ao estilo musical "rock", mas não é. Rock In Rio é um festival de música, de qualquer estilo. Por que? Porque dá mais dinheiro, e é o que público quer. Festival só de rock tem aos montes por aí. Procura que você acha. Também é mentira que antigamente tinha mais rock no Rock in Rio. O que teve na primeira edição de 1985? Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Os Paralamas do Sucesso, AC/DC, Scorpions, Barão Vermelho, Ozzy Osbourne e Yes. 10 atrações. Vamos avançar 30 anos, e ver as atrações de rock e metal em 2015: Queen, Metallica, Motley Crue, Royal Blood, Gojira, Korn, Ministry, Angra, Noturnall, Paralamas do Sucesso, System of a Down, Queens of the Stone Age, CPM22, Deftones, Lamb of God, Halestorm, Project46 + John Wayne, Slipknot, Faith no More, Mastodon, Moonspell, Ultraje a Rigor.

Pois é. Rock In Rio não é um festival de rock, nunca foi e nunca será. Monster Of Rock, Download Festival, Hellfest e muitos outros estão aí pra isso (Lollapalooza não conta)

26/09/2013

Um galho metálico seco

 Com as impressoras 3D agora é possível imprimir pessoas inteiras e fabricar residências em apenas algumas semanas. Energia elétrica sem fio é dominante e fios se tornaram obsoletos. Doenças como Alzheimer, HIV e a grande parte das deficiências físicas e mentais são agora totalmente ou parcialmente sanáveis. Telecomunicação é instantaneamente transmitida, sem qualquer delay entre um ponto do planeta e outro. As leis da mecânica quântica finalmente passaram a ser aplicáveis ás leis da física contemporânea. Curiosity confirmou que já houve formas de vida em Marte e astrônomos descobriram que nosso universo está dentro de um hiperespaço, dentre muitos outros hiperespaços, estes por sua vez com milhares de universos dentro deles.

 O que tudo isso significa?

 Não me peça pra explicar com termos técnicos. Acontece que impressões 3D moldaram do zero o mundo como conhecíamos, sendo largamente criticada pelos empresários de grandes empresas e num piscar de olhos se tornou rigidamente controlada pelo Estado. Não existem mais postes e cabos nas ruas e nas casas. Foi tudo substituído por enormes antenas separadas por uma distância específica que induzem energia eletromagnética, que por sua vez alimentam e iluminam nossas lâmpadas e nossos eletrodomésticos. O teletransporte de dados e de pessoas (pasme!) é possível, embora seja um processo altamente caro e burocrático controlado pelo governo, assim como a viagem no tempo. Se você tem câncer de medula óssea, um tumor maligno na lombar ou se perdeu um membro do corpo, suas chances de sobrevivência são grandes.

 Para que isso tenha sido possível, no entanto, muita merda aconteceu, mas prefiro omitir essa parte...

 O que ainda não é possível

 Não se engane que tudo agora é possível, pensando que ultrapassamos a velocidade da luz, que enviamos pessoas de volta ao passado ou que colonizamos planetas longínquos no espaço intergaláctico. As leis da física continuam imutáveis, o universo continua se expandindo, o planeta Terra continua orbitando o Sol e nós continuamos eternamente limitados pelas forças do cosmos. No entanto, continuamos a usar os poderes do universo e nosso entendimento sobre ele como forma de continuarmos avançando na nossa jornada cósmica, sempre em prol do desenvolvimento humano e da preservação de nosso planeta.

 O porém

 Todavia, os valores morais da sociedade e da natureza intrínseca ao ser humano acabam impedindo a aplicação prática de muitos desses avanços. É a ganância, ambição e o poder sempre entrando em jogo sob a justificativa de um bem maior... bem maior este que acaba causando inúmeras outras malezas, como o aumento crucial da taxa de mortalidade mundial e da poluição em nossa pequena residência planetária, comprometendo todo um sistema ecológico e, consequentemente, pondo em nós mesmos a níveis críticos de um iminente colapso. Poderia me estender por horas citando exemplos da atitude cancerígena do ser humano para o planeta e para si mesmo...

 A tecnologia evoluiu e continua evoluindo, mas essa evolução não acompanhou a sociedade. O humano ficou pra trás perante sua própria criação. Não quero dar exemplos, temendo que isso comprometa alguma coisa. Esses são apenas alguns dos avanços tecnológicos e científicos do meu tempo. Nem mencionei a situação social, política e econômica do país e de todo o capítulo mundial ocorrendo nesse pálido ponto azul vagando pela imensidão cósmica ao redor de uma estrela. Não sei se vale a pena. Quando o tempo chegar, você sentirá o impacto. Só espero que você e sua geração estejam preparados para o galho metálico seco, e que não deixem o futuro (atual presente) acontecer do exato mesmo jeito, embora isso fosse violar uma das leis fundamentais da física... mas lhe desejo boa sorte.

 PS: Quando o novo oegã emergir, finja-se de morto.

29/01/2013

Estamos sempre perto da morte

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Estamos sempre tão perto da morte. E ela está sempre perto de nós. Apenas esperando o momento preciso para carregar nossas almas para o submundo dominado pela obscuridão e não-existência. Apenas mais alguns centímetros. Um passo em falso na ponta de um penhasco que, em apenas mais alguns centímetros, ocasionaria uma queda brusca metros abaixo, e consequentemente, o óbito. Mas não ocorreu. Apenas mais alguns segundos. Um transeunte, antes parado na calçada, começa a caminhar e que, em apenas mais alguns segundos, seria atingido por um carro desgovernado. Mas não foi.

Estamos sempre tão perto da morte. O teto pode desabar repentinamente sobre você, seu corpo ou algo perto de você pode entrar em combustão instantânea, algo pode explodir e ser arremessado diretamente em seu rosto. Você pode ser picado por alguma aranha venenosa mortal, seu coração pode parar de palpitar mesmo você sendo fisicamente saudável e insuficiência cardíaca ser um acontecimento improvável na sua idade. Tudo e mais um pouco pode acontecer, mesmo sob as menores e mais inverossímeis probabilidades.

Estamos sempre tão perto da morte. Poderia ser qualquer dia, qualquer ocasião. Atravessar a avenida, atravessar uma ponte de madeira, tomar uma ducha, tomar uma bebida, dirigir uma moto, voar de avião…

Atravesso uma rua sem olhar para ambos os lados. Cuidado, um desconhecido berra. Agilidosamente, pelo susto, regrido dando um ou dois pulos, enquanto o veículo passa pelo meu lado, buzinando, ainda na mesma velocidade. Aparentemente o motorista não se importaria em parar. Me alivio, foi só um susto. Ainda estou vivo. Apenas mais uns segundos. Apenas mais alguns centímetros. Se a pessoa não tivesse me alertado, poderia ter sido atropelado, arremessado alguns poucos metros, mas ficaria bem. Ou bateria a cabeça no chão, mas também ficaria bem, apenas um pouco atordoado e com dores. Ou seria atingindo violentamente pelo automóvel, sendo levado para o hospital. Mas com sorte, liberado em 1 ou dois dias. Ou o carro fatalmente me atropelaria, me arremessaria alguns metros no chão, eu bateria a cabeça, seria levado para o hospital, e pereceria devido a traumatismo craniano, falência múltipla dos órgãos e perda excessiva de sangue. Mas me alivio, foi só um susto.

Foi o dia em que estive próximo da morte. Assim como todos os outros, apenas de diferentes maneiras.

A morte estará sempre perto da gente. E estaremos sempre perto da morte. E um dia, ela se aproximará demais. Atrás, na frente, dos lados, ou em cima. Pode ser você, ele, aquele, eu. Qualquer um pode ser a morte, apenas esperando a sua hora de agir. Aguardando o momento para estar perto demais e me levar.

29/09/2012

Conhecendo pessoas por dedução


 É importante conhecer pessoas, aumentar seu círculo social. Gosto e costumo fazer muito isso. Ás vezes, no entanto, nem chego a conhecê-la. Simplesmente deduzo qual seu nome, sua idade, o que gosta de fazer, qual sua opinião em relação ao aborto, e quando foi a última vez que deu uma cagada. Coisas do gênero. E acho que é mais prático assim. Quais seus traumas, quais seus objetivos na vida, se eu já a vi em algum outro lugar, se eu conheço alguém que conhece alguém que conhece ela.

E eu fico pensando quais são as particularidades de cada um. Numa fila de banco, por exemplo, ou em um ônibus, ou num restaurante. Sei que seria mais lógico perguntar, na provável hipótese da pessoa responder, ou se eu me tornasse amigo íntimo dela para saber. Mas não tomaria essa iniciativa só pra esse propósito.

Somos todos assim, todos temos nossas particularidades. Em São Paulo, em multidões, ás vezes eu fico divagando sobre essas pessoas. Como elas devem ser, individualmente, o que fazem quando estão sozinhas no quarto, ou o que pensam quando acordam, penso em algo inusitado que apenas ela possui, seja uma característica física ou pessoal. Também penso como devem ser coletivamente. O que têm em comum. E concluo que todas essas pessoas da multidão cagam. A maioria delas com frequência diária. Isso é muito perturbador pra mim. Um volume inacabável de detritos enchendo sem parar esse planeta. Como é que a Terra não virou uma total esfera fedorenta de gás fecal ainda?

Voltando ao tema. Adoro conhecer pessoas por dedução. Não faço isso sempre, é algo mais inconsciente. Passo por um desconhecido. Presumo que ele seja Eduardo, 43 anos, já matou um policial e hoje é cameraman de filmes pornôs. Um transeunte atravessa a rua, analiso-o e deduzo que joga Ragnarok, secretamente escuta One Direction e mija sentado. Na esquina, uma mulher. Priscila, 27 anos, fez faculdade de Administração. Não tem patrimônio pra administrar. Trabalha como secretária e espera um dia em poder pagar a sua tão sonhada cirurgia de mudança de sexo. Tem dois filhos adotivos. Um tem 13 anos, é ambientalista, vegan, petista, nacionalista e femininista. O outro tem 10, e não consegue decorar a tabuada do 2.

 Na fila da padaria, o que aguarda a sua vez na frente de mim se chama Murilo, tem um caroço no testículo esquerdo, sofre de hemorroida e já participou de uma orgia de drag queens. O que está atrás de mim na fila se chama Hugo, tem 25 anos, mora sozinho com seu ursinho de pelúcia imaginário e construiu um jardim nos fundos só pra plantar maconha. O padeiro se chama André, tem 40 anos. Foi pego pelos pais injetando heroína pelo reto e hoje faz serviços comunitários todo final de semana. Encontro com mais com um desconhecido. Pedro, 32 anos, gente finíssima. Já esfaqueou sua empregada enquanto brincava de Rambo, e sua namorada o abandonou após tê-lo flagrado se masturbando com os vegetais que ela havia comprado para fazer o jantar. Por fim, chego em casa, após conhecer inúmeros desconhecidos.

E assim vou conhecendo as pessoas. Na minha dedução. Faz bem pra imaginação. É um de meus devaneios. Além do clássico joguinho de não pisar nas linhas dos pisos.

02/04/2011

Paixão

 Paixão, a necessidade do palpitar do coração
 O olhar da ruiva que se aproxima no calçadão
 Ela olha pra você, você olha para baixo
 Se depara que seu amigo não está mais cabisbaixo

 Está feliz e apaixonado de repente
 Rígido e venenoso como uma serpente
 Mas esse não é o seu coração
 É o seu membro, apenas tendo uma reação

 Com coragem, aproxima-se dela para lhe falar
 Se depara com o brilho de seu olhar
 Declara a sua paixão
 E não correspondido, é destinado á depressão.

 Pouco depois, aquela morena caminha suavemente
 Você se declara, e sente uma dor
 Não é amor não-correspondido, nem a quebra de uma paixonite
 É apenas uma apendicite.

 Uma nova paixão. Você se abre para seu amigo Vicente
 Não com segundas intenções, apenas para falar o que sente.
 Ele espalha para todos o seu amor, a sua luta
 E você só pensa em socar o filho da puta

 Sua nova paixão pela morena está revelada
 Sua única opção é falar com ela de forma nivelada
 Lhe abre seu coração, fala com rapidez
 E toma no cu mais uma vez

 Uma verdade de agora e de outrora.
 Concluo esse poema com uma moral
 Não importa o quanto você ame
 Você sempre se fode no final