23/02/2011

Pequenos incidentes gastrointestinais #2 - Alien, meu passageiro intestinal

 O título desse relato é uma citação ao filme Alien, o oitavo passageiro, de 1979. Pra quem não conhece o filme, eu não posso fornecer informações, já que eu nunca o assisti também.

 Tudo começou com Deus... já que foi ele quem definiu que meu intestino fosse preguiçoso e funcionasse mal pra caralho. Tá. Não foi Deus. Até porque ele não existe. Mas tudo começou quando eu me deparei que não ia ao banheiro já há alguns dias. Fiquei preocupado. Minha gravidez fecal só estava aumentando, enquanto os soldados do meu intestino (leia-se fibras alimentares) estavam em constante estado de hibernação. Talvez fosse algum problema relacionado ao fato de eu não ingerir muita água - caso que já foi solucionado. Não sabia exatamente o que era.

 Porém, logo tomei minha decisão: tomaria uma pílula espurgadora de acúmulos fecais. Não era laxante, nem purgante. E sim uma mera pílula que diluía a metamorfose de sua refeição em 70% de água. Ou seja: a merda virava água. Não totalmente, mas ficava muita mais pastosa.

 E no dia seguinte, não fui 1, nem 2, mas 3 vezes ao banheiro, em um intervalo com menos de 2 horas. Não era caganeira. Nem diarréia. Ou qualquer bizarrice anal. Era simplesmente um milagre da medicina. Aquela pílula me fez eliminar tudo o que se acumulou em 1 semana e meia. Isso não é nada pra quem já ficou mais de 1 mês sem defecar. Mas isso é assunto pra outra hora... ou não.

 Mais tarde, no mesmo dia, eu fui ao banheiro novamente. Parecia que meu intestino tinha ingerido cogumelos alucinógenos e começara a trabalhar loucamente. Pois bem. E foi aí que eu liberei o que faz jus ao nome do título. Não estou sendo sensacionalista, mas era um Alien. Um Alien pastoso e com forte odor, que acabara de ser expelido com uma combustão fecal. Chuvas com rajadas frescas. Eu me senti imediatamente dentro do filme Alien, o oitavo passageiro. Pensei em tirar fotos, mandar para pesquisadores e para fóruns de pessoas que cultivam fezes. O que seria algo insano. Não só pelo fato de eu tirar fotos da bosta, mas por existir um fórum do tipo.

 Enquanto eu observava o alien, estupefato perante tamanha enormidade de algo que acaba de sair de dentro de meus glúteos, não descartaria a hipótese de mandá-lo para os cientistas da faculdade de Massachussets investigá-lo e averiguar se é um Alien ou não. Para constatar meu tamanho esforço para a combustão fecal do Alien, eu estava suando. Muito.

 Pois bem. Após algumas horas admirando, pasmo e ao mesmo tempo interpretando-o como um de meus filhos, - o que é algo absolutamente gay - eu decidi deixá-lo traçar seu caminho rumo aos esgotos da cidade. Dei descarga. O que era esperado aconteceu. O Alien mal se mexeu de lugar. Sua permanência estava marcada. E era ali que ele ia ficar, eternamente. Mas eu já havia decidido. Com um certo temor, fui-me obrigado á passar por uma cena vexatória que geralmente sem ocorre comigo: pegar um palito de churrasco, picar a obra-de-arte intestinal e mandá-la cano abaixo. E foi o que eu fiz. E tentei de tudo. Cortei em dois, em três, em picadinhos, pressionei, empurrei, cortei mais ainda, joguei água do tanque através de um balde, dei inúmeras descargas... porém, lá ele permanecia. Instalado sobre a privada. Toquei o foda-se. Deixei-o sob banho Maria por 3 dias. Juro. Até que enfim, no quarto dia, lembrei-me que meu passageiro intestinal ainda permanecia instalado sob os canos. Chequei a privada, dei descarga e subitamente, ele foi embora. Sem nenhum esforço.

 Nessas horas, eu agradeço á Deus por ter me concedido um orifício glúteo o suficiente para que nenhum Alien fique preso em meus labirintos intestinais. Se Deus existisse.

 Finalizando esse relato, fique com a paródia do extinto humorístico da MTV, Hermes e Renato; com o filme Alien, o oitavo passageiro.