16/01/2011

Aquele quarto de frente ao seu...

 A escuridão da noite já se era notável por entre as estradas sem iluminação, com um amontoado de arbustos ao redor. Um executivo, que estava á caminho da cidade grande para uma conferência de sua empresa, foi solicitado imediatamente para o evento que acontecera no dia seguinte.

 O brilho da lua destacava a escuridão das estradas e sua máxima cautela ao dirigir por aquela rua sem faixa de mão foi distraída com uma fachada lindamente iluminada e um letreiro também totalmente iluminado por cores azuis. Logo se deparou que era um hotel. Mais se assemelhava-se com uma pousada. Na verdade, aquele pequeno estabelecimento se confundia em um mar de dúvidas quanto ao que ele era realmente. Mas isso não era de nenhuma importância.

 O executivo, com seu veículo, logo entrou no pequeno estacionamento do estabelecimento. Sua decisão fora tomada. Ele não iria mais dirigir por aquela estrada provavelmente perigosa já que, sem iluminação e o anoitecer, ele prefiriu não correr riscos.

 Estacionou seu veículo, segurou sua maleta de negócios e logo adentrou ao hotel, dando de frente com uma bela recepcionista na faixa dos 20 anos. Enquanto reparava em seu largo sorriso, se aproximou da bancada.

 - "Boa noite senhor!"

 - "Boa noite, boa noite!" - respondendo com simpatia ao bom humor da recepcionista - "Quanto é a diária?"

 - "150."

 - "Então, por favor, me dê um quarto." - já decidira o executivo.

 - "Tá bom, assine aqui, por favor." - lhe entregando um formulário sobre a bancada, juntamente com uma caneta.

 Enquanto assinava, como um pretexto para puxar assunto, logo se interessou:

 - "Quantos quartos tem ao todo aqui?"

 - "40."

 - "40?" - duvidoso - "Então a clientela deve ser forte." - já terminando de

 - "Até que sim. Muitos hóspedes chegam em busca de abrigo por causa da estrada sem iluminação." - A recepcionista lhe entrega a chave. - "Quarto 314"

- "Obrigado... boa noite!"



 E agarra sua maleta, subindo pelas escadas do hotel, se questionando á respeito do que uma jovem recepcionista estaria madrugando em plena área isolada da cidade mais próxima. Terminou de subir as escadas, adentrando á um corredor relativamente pequeno. Ficou confuso quanto a afirmação da recepcionista ao fato do hotel conter 40 quartos, logo que aquele corredor não era tão extenso para acomodar tantos cômodos. Logo observou o corredor para ver se havia mais andares. E foi, numa incansável busca pela verdade, contar porta por porta do corredor.

 Deparou-se que sua toda a sua desconfiança á respeito da hipótese confirmada pela recepcionista não passava de mera bobagem. Foi á procura para o quarto 314, da qual ele iria ocupar, e foi justamente o último da qual ele procurou. E estava localizado no fim do corredor. Na extremidade das paredes texturadas em vermelho daquele macabro estabelecimento.

 Antes de entrar em seu quarto, observou aquela porta. Aquele quarto de frente ao seu... deparou-se de que o quarto não tinha numeração. Curioso, não hesitou, e olhou pela fechadura. Observou uma pessoa de costas, olhando para a vista da janela. Era branca, que usava um vestido igualmente branco. O tom de sua pele era algo chamativo. Poderia ser confundido com pitiligo.

 O executivo decidiu que era desinteressante se preocupar com uma simples porta que não tinha numeração. Entrou em seu quarto, ajeitou tudo e logo adormeceu.

 A manhã surgiu de forma de que o executivo acordara naturalmente com a iluminação do Sol em sua janela, que apontara para o leste. O relógio marcava 09:00. Ele estava atrasado. A conferência estava solicitada para as 12:00 e lhe restava ainda mais 2 horas de viagem pelas estradas. Porém o mesmo não se desesperou. Banhou-se, vestiu seu terno e saiu de seu quarto. Extremamente curioso novamente pela porta sem numeração, observou novamente pela fechadura.

 Deparou-se com algo vermelho, e que estava bem em frente á fechadura. Não era possível mais observar nada. Talvez tenham notado de que na noite anterior ele havia observado o quarto do hóspede pela fechadura e colocado um objeto ou qualquer coisa que tapasse a visão.

 O executivo desceu ao primeiro andar, entregou a chave a recepcionista e pagou sua diária. Não tendo comido nada há muitas horas, perguntou á recepcionista:

 - "Escuta, você sabe onde fica alguma loja ou algum lugar onde eu possa tomar um café?"

 - "Depende. Pra qual direção o senhor vai?"

 - "Em direção á capital."

 - "Bom, então você pode ir dirigindo que em 15 minutos mais ou menos você vai encontrar um posto de gasolina."

- "OK, muito obrigado" - responde o executivo, satisfeito com suas dúvidas. Exceto uma. Que acaba de lembrar-se no exato momento em que estava pronto para pegar a estrada novamente. Se aproxima novamente da recepcionista. - "Ah... por falar nisso... eu notei que o quarto em frente ao meu, que é o 314, não tem numeração na porta..."

 A recepcionista fica um pouco tensa, notando-se claramente o seu desviar de olhar, e recorda-se de um fato, relatando-o com anceio de o executivo acreditar nela.

 - "É que... eu não sei se você vai acreditar em mim... mas... aconteceu algo muito incomum nesse hotel. No quarto em frente ao 314, estavam se hospedando uma família e... o pai matou a mulher e o filho e se matou depois. Coisas paranormais aconteceram e nós fechamos esse quarto, já que muitos hóspedes relataram o fantasma de uma mulher, que provavelmente devia ser a esposa do homem que matou ela e o filho... Eles eram brancos, muito brancos. Me lembro bem disso. E pareciam ser normais.. Exceto pela mulher, que tinha um dos olhos vermelhos."